Quando os tempos estiverem difíceis e o peso em suas costas for maior do que podes carregar, vá para o mar. Escolha um fim de tarde sem escolhê-lo. Faça o sem critério ou não faça nada; apenas vá. Pise lentamente na areia da praia e desfrute a graciosa massagem em seus pés. Respire fundo – quantas vezes necessárias – e sinta o cheiro da maresia entrar em suas narinas. Abra os braços e celebre a liberdade, a sua alforria temporária dos fantasmas que lhe aflige.Ande com um passo após o outro rumo ao mar; por mais óbvia que seja esta explicação, ande com uma crescente felicidade, até que a efusividade se choque com as ondas. Pegue as pequenas conchas e observe suas nuances, até se satisfazer com a beleza dos fragmentos do mar.
Entre no mar e receba cada uma das ondas como o abraço acolhedor de um velho e saudoso amigo. Grite de alegria, ou dance; esqueça que existem outras pessoas ao seu redor e se valorize neste universo particular. Calmamente, deixe seu corpo flutuar sobre as águas como um navio a deriva, permitindo-se levar pelas ondas. Cantarole uma música, ou apenas a lembre em sua cabeça. Recorde os momentos bons de sua vida, bons amigos, boas festas, boas coisas. Deixe ser, esqueça dos paradigmas e conceitos a serem mantidos, das grandes construções morais e pense no simples, no óbvio, no céu que cobre a vista como um leve e suave manto anil. Apenas. As penas. Agora. As gotas que saltitam em um mar de infinitos.
Ainda lembre que se os fantasmas quiserem acabar com o rito informal do momento, esqueça-os e deixe-se estar à deriva.
