Chove a noite toda em meu quintal. As gotas batendo contra a janela marcam o compasso da música, enquanto a fumaça do café quente dança. Com a cabeça recostada na cadeira, vejo os clarões dos relâmpagos formando figuras nas paredes, assombrosas ou familiares, desaparecem, partindo para outros lugares com o movimento das árvores. Ouço passos no andar debaixo, ouço meu filho me chamar. Digo a ele onde estou e ele pede que eu o venha resgatar. Faço um silêncio. Aguardo. Espero os passos pararem. Imagino que ele deva estar amedrontado, imóvel. Aguardo. Por um momento, penso em ir. Aguardo. Ele sabe onde eu estou. Digo que não tenha medo. Aguardo. Olho para a porta e vejo a pequena figura que atravessou os medos infantis do corredor escuro para alcançar refúgio. Com um sorriso no rosto, abro meus braços e ele corre, como se nenhum monstro pudesse lhe aflingir agora. Carrego-o e coloco deitado no meu peito. Ele fecha os olhos e começa a dormir ao som das gotas batendo contra a janela, marcando o compasso da música, com a fumaça do café ainda dançando e com os monstros das sombras das árvores aparecendo na parede. E ele aguarda. Aguarda a noite acabar, nos braços do pai para, enfim, viver novamente. Os banhos não são as óperas de outrora, tampouco o café significa um ópio para o labor. A felicidade entretida com linhas e letras vem em versos cantados sob as gotas quentes do banho ao final do dia; ela vem nos tons, nem sempre doces, dos cafés da vida. O mundo imaginário de Bay Smooth é o ponto de partida onde todas as coisas começam a beira de um mar que tem som de jazz.
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
CORREDOR
Chove a noite toda em meu quintal. As gotas batendo contra a janela marcam o compasso da música, enquanto a fumaça do café quente dança. Com a cabeça recostada na cadeira, vejo os clarões dos relâmpagos formando figuras nas paredes, assombrosas ou familiares, desaparecem, partindo para outros lugares com o movimento das árvores. Ouço passos no andar debaixo, ouço meu filho me chamar. Digo a ele onde estou e ele pede que eu o venha resgatar. Faço um silêncio. Aguardo. Espero os passos pararem. Imagino que ele deva estar amedrontado, imóvel. Aguardo. Por um momento, penso em ir. Aguardo. Ele sabe onde eu estou. Digo que não tenha medo. Aguardo. Olho para a porta e vejo a pequena figura que atravessou os medos infantis do corredor escuro para alcançar refúgio. Com um sorriso no rosto, abro meus braços e ele corre, como se nenhum monstro pudesse lhe aflingir agora. Carrego-o e coloco deitado no meu peito. Ele fecha os olhos e começa a dormir ao som das gotas batendo contra a janela, marcando o compasso da música, com a fumaça do café ainda dançando e com os monstros das sombras das árvores aparecendo na parede. E ele aguarda. Aguarda a noite acabar, nos braços do pai para, enfim, viver novamente.
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