Chove a noite toda em meu quintal. As gotas batendo contra a janela marcam o compasso da música, enquanto a fumaça do café quente dança. Com a cabeça recostada na cadeira, vejo os clarões dos relâmpagos formando figuras nas paredes, assombrosas ou familiares, desaparecem, partindo para outros lugares com o movimento das árvores. Ouço passos no andar debaixo, ouço meu filho me chamar. Digo a ele onde estou e ele pede que eu o venha resgatar. Faço um silêncio. Aguardo. Espero os passos pararem. Imagino que ele deva estar amedrontado, imóvel. Aguardo. Por um momento, penso em ir. Aguardo. Ele sabe onde eu estou. Digo que não tenha medo. Aguardo. Olho para a porta e vejo a pequena figura que atravessou os medos infantis do corredor escuro para alcançar refúgio. Com um sorriso no rosto, abro meus braços e ele corre, como se nenhum monstro pudesse lhe aflingir agora. Carrego-o e coloco deitado no meu peito. Ele fecha os olhos e começa a dormir ao som das gotas batendo contra a janela, marcando o compasso da música, com a fumaça do café ainda dançando e com os monstros das sombras das árvores aparecendo na parede. E ele aguarda. Aguarda a noite acabar, nos braços do pai para, enfim, viver novamente. Os banhos não são as óperas de outrora, tampouco o café significa um ópio para o labor. A felicidade entretida com linhas e letras vem em versos cantados sob as gotas quentes do banho ao final do dia; ela vem nos tons, nem sempre doces, dos cafés da vida. O mundo imaginário de Bay Smooth é o ponto de partida onde todas as coisas começam a beira de um mar que tem som de jazz.
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
CORREDOR
Chove a noite toda em meu quintal. As gotas batendo contra a janela marcam o compasso da música, enquanto a fumaça do café quente dança. Com a cabeça recostada na cadeira, vejo os clarões dos relâmpagos formando figuras nas paredes, assombrosas ou familiares, desaparecem, partindo para outros lugares com o movimento das árvores. Ouço passos no andar debaixo, ouço meu filho me chamar. Digo a ele onde estou e ele pede que eu o venha resgatar. Faço um silêncio. Aguardo. Espero os passos pararem. Imagino que ele deva estar amedrontado, imóvel. Aguardo. Por um momento, penso em ir. Aguardo. Ele sabe onde eu estou. Digo que não tenha medo. Aguardo. Olho para a porta e vejo a pequena figura que atravessou os medos infantis do corredor escuro para alcançar refúgio. Com um sorriso no rosto, abro meus braços e ele corre, como se nenhum monstro pudesse lhe aflingir agora. Carrego-o e coloco deitado no meu peito. Ele fecha os olhos e começa a dormir ao som das gotas batendo contra a janela, marcando o compasso da música, com a fumaça do café ainda dançando e com os monstros das sombras das árvores aparecendo na parede. E ele aguarda. Aguarda a noite acabar, nos braços do pai para, enfim, viver novamente. terça-feira, 19 de outubro de 2010
Só para relembrarmos as lições de Ruy Barbosa (especialmente nestes dias...)
domingo, 3 de outubro de 2010
JAZZ FM

Fique um pouco mais.
A noite é curta e o dia longo.
A voz do outro lado do rádio.
Da rádio do outro lado do continente.
Parecem bem mais próximas agora.
O dia foi uma fantasia, de medos e sonhos surreais.
A noite vem como alento, de quem cansado está.
Seu programa curto na madrugada longa.
Fique comigo Bob Parlocha,
Fique um pouco mais.
sábado, 26 de setembro de 2009
OS CONTROLES
Eram quase 2 da manhã e estava encostado na parede do corredor. A cabeça parecia explodir, rodando em torno de um corpo cambaleante que se arrastava pela casa. Não falava uma palavra sequer, mas em sua mente os diálogos prinunciavam-se em gritos rasgados, como uma canção de Janis Joplin sobre seus conceitos morais.Não entendia como havia chegado naquele estado. Em uma ligação há duas horas, um amigo lhe dissera o que fazer. Mas como, se não havia forças?
Entendia bem como havia chegado naquele estado. Só não queria admitir. Ou por orgulho, ou por tolice. De todas as formas, sabia que não havia forças.
Entrou na sala. Escura. Tateou como um cego, tentando achar os controles da televisão. Havia perdido o controle de sua vida; estava cego.
Passou os canais, buscando um conforto. Passaram filmes, propagandas, debates, filmes eróticos, campeonatos de poker, desenhos animados. Tudo isso em segundos, quando os dedos pareciam mais despertos que o restante sobre os botões. Achou um pastor.
O homem corpulento, a barba grossa, o terno claro, o sorriso na face, a Biblia em punho. Lia uma palavra de vida, talvez algo de São Paulo. Algo bonito que lhe trouxe paz.
Recostou a cabeça no sofá. Fechou os olhos. A cabeça ainda latejava, mas o coração diminuía o ritmo. Pela primeira vez, começava a descansar. Não contava carneirinhos, não pensava em coisas terríveis. Apenas escutava as palavras de uma voz inalterável. O pastor não gritava; quase sussurrava. E eles mantinham um trato por isso. Enquanto o pastor não gritasse, ele estaria na TV. Enquanto ele não dormisse, o pastor poderia continuar a falar. Mantinham a camaradagem.
Naquela noite, já eram 2 da manhã. A cabeça rodava. Estava tudo escuro. O corpo, encostado no sofá. Colocou duas ou três almofadas em cima da barriga. Mantinha o trato. Já havia achado os controles, mas no fundo tentava achar Deus. Havia encontrado uma luz. As palavras de seu amigo faziam mais sentido. As palavras do pastor confortavam sua noite. Estava tudo bem.
terça-feira, 8 de setembro de 2009
AO AVESSO
Termine de escrever
Todas as suas palavras tolas.
Enrole-as num papel
E vire-se.
Ao avesso.
De ponta a cabeça.
Chame seus nomes.
Grite bem alto.
Ouça a sua voz.
O belo eco ensimesmado.
A vida recontada.
Todas suas palavras tolas,
São assim quando feitas.
Viva-se; reviva-se.
Vire-se; revise-se.
Em palavras e nomes,
Voz e ecos.
Ao avesso.
De ponta cabeça.
segunda-feira, 13 de julho de 2009
À DERIVA
Quando os tempos estiverem difíceis e o peso em suas costas for maior do que podes carregar, vá para o mar. Escolha um fim de tarde sem escolhê-lo. Faça o sem critério ou não faça nada; apenas vá. Pise lentamente na areia da praia e desfrute a graciosa massagem em seus pés. Respire fundo – quantas vezes necessárias – e sinta o cheiro da maresia entrar em suas narinas. Abra os braços e celebre a liberdade, a sua alforria temporária dos fantasmas que lhe aflige.Ande com um passo após o outro rumo ao mar; por mais óbvia que seja esta explicação, ande com uma crescente felicidade, até que a efusividade se choque com as ondas. Pegue as pequenas conchas e observe suas nuances, até se satisfazer com a beleza dos fragmentos do mar.
Entre no mar e receba cada uma das ondas como o abraço acolhedor de um velho e saudoso amigo. Grite de alegria, ou dance; esqueça que existem outras pessoas ao seu redor e se valorize neste universo particular. Calmamente, deixe seu corpo flutuar sobre as águas como um navio a deriva, permitindo-se levar pelas ondas. Cantarole uma música, ou apenas a lembre em sua cabeça. Recorde os momentos bons de sua vida, bons amigos, boas festas, boas coisas. Deixe ser, esqueça dos paradigmas e conceitos a serem mantidos, das grandes construções morais e pense no simples, no óbvio, no céu que cobre a vista como um leve e suave manto anil. Apenas. As penas. Agora. As gotas que saltitam em um mar de infinitos.
Ainda lembre que se os fantasmas quiserem acabar com o rito informal do momento, esqueça-os e deixe-se estar à deriva.
quinta-feira, 2 de julho de 2009
PALAVRAS
Como muitas noites passadas, o amargor daquela parecia ferver o sangue na madrugada gélida. Já havia estado pensando por dias e dias se as coisas estavam a correr bem, mas a ansiedade o devorava sadicamente, sem nenhum pudor.O condenado que mira sua sentença não sugeria tanto penar como ele. Puxou a orelha do papel, leu as primeiras letras, respirou fundo novamente e abriu-o por inteiro. As letras pareciam embaralhadas tal a rapidez com que lia. Leu algumas palavras. Preferiu ler novamente. Um pequeno sorriso de satisfação cobria o rosto e lavava os traços de angústia.
Palavras de perdão remontavam o intricado desafio do amor.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
PARTIDA

Sem dizer “adeus” ou sem demora, entraram no trem para não mais voltar.
A cena recorrente que projetava na mente parecia um filme noir mudo.
Uma cabeça encostada na janela, um olhar perdido, uma tarde fria para um coração frio; já não havia os cafés quentes de outrora.
Agora, apenas o trecho que existia entre o bilhete de embarque e a estação de destino parecia ser um martírio para eles.
O preto e branco da cena dominava a paisagem e corroia a foto que viria a ser emoldurada.
sexta-feira, 18 de julho de 2008
O GRANDE PRESENTE
Recentemente escrevi esta mensagem para dizer em um aniversário:Em aniversário não há nada tão bom como ganhar presentes. Alguns dizem que são os amigos, “é a presença de todos vocês”, “vocês são meus presentes”, “oras, não precisava!”. Na verdade simulam com uma interpretação dramatúrgica.
O que importam são os presentes, que de todos tamanhos, cores e tipos, que vêm entrando pela porta a espera de seu destinatário. Em um seriado televisivo o protagonista dizia que “presentes são apenas a demonstração de quanto não se conhece a pessoa.” Talvez sim, mas nos moldes atuais do mercado de consumo, o prazo de troca, bem como os vales-presentes, faz com que qualquer presente seja adequado o suficiente para o presenteado.
Vejam as crianças que efusivamente nos recebem a porta de seus aniversários. Pulam, saltitam e cintilam seus olhos em busca do embrulho. Eles são terrivelmente sinceros quando na espera de um brinquedo recebem... um par de meias. Chegam a imaginar se os adultos um dia foram crianças, tal a falta de sensibilidade aos seus anseios pueris!
Mas os presentes carregam em sai algo muito mais forte, que transcende as representações materiais e que ninguém pode nos dar, exceto Deus. Carregam em seu nome um tesouro que muitas vezes queremos ignorar, burlar, despistar como se fosse possível. Esta dádiva é o “presente”, tempo no qual vivemos exatamente agora e que tem a força de mudar o rumo de nossas vidas. É poderoso e esta adormecido, com muita energia e coragem podemos fazê-lo o primeiro dia de nossas conquistas, o primeiro passo de nossas caminhadas, um marco de nossas vitórias.
Talvez a melhor representação sobre o presente seja o filme Forest Gump, em que o personagem decidia, sem muitos procedimentos, começar algo novo. A frase eternizada que ecoa em nossas mentes de “Run Forest, run!” (Corra Forest, corra!) é o jargão para todos aqueles que anseiam por longas caminhadas.
Este certamente é o passo mais doloroso, mais difícil, mais pesado, porém o mais importante. É no presente que se começa a construir um futuro. Todo livro tem uma primeira palavra. Toda partida de futebol tem o primeiro toque. Todo pacote tem a primeira bolacha!
Já disse em verso o que tentamos explicar em prosa o poeta desconhecido:
"A Idade de Ser Feliz
Existe somente uma idade para a gente ser feliz,
Tempo de entusiasmo e coragem
Por isso, aproveite o presente para ser exatamente aquilo que Deus te chamou para ser com o gingado que a vida merece. Se tiveres de ser dura, que seja; se for chamada a dançar conforme a música, que possa valsar da melhor maneira.
Mas sempre sendo exatamente aquilo para o qual Deus te chamou a ser. Ele lhe presenteou com o hoje, para que construas o amanhã melhor, mais digno, mais bonito. Aproveite-o bem!

quinta-feira, 19 de junho de 2008
23 ANOS...
Estou ficando velho. Tenho 23 anos e sei que esta frase soa como uma ofensa perante o pessoal da década de 70, 60... Mas cheguei a esta frustrante conclusão. Por um momento, todos com quem converso desconhecem Thundercats, Saltimbancos, Indiana Jones...Minhas músicas são de velhos. Enquanto a enxurrada do gueto americano rola na rádio da moda, eu sou alvo de chacota ao dizer que gosto de jazz. E quando digo que gosto de Belchior?! Sou execrado das rodas de música.
Não tenho ninguém para discutir sobre os fascinantes episódios de Roque Santeiro, Pantanal, Vamp. Ninguem assistiu estes épicos. Só falam sobre mutantes, caminhos do coração, high school music...
Minhas referências futebolísticas começam a ficar atrasadas. Estes dias tive de escutar um palmeirense dizer: "quem é esse tal de Edmundo que o Palmeiras está contratando?" Poxa... o cara foi um dos maiores goleadores em atividade na última década, defendeu a seleção, fez dupla com Romário, é o recordistas de gols em um só jogo pelo Campeonato brasileiro. E ainda fazem este tipo de pergunta?! Imagine só...escutei a mesma pergunta, mas mudando o jogador: "quem é esse Túlio Maravilha?"
Já não sei se são minha companhias ou minha idade. A impressão de que o tempo passa parece ter um efeito maior sobre mim. Me peguei lendo Castro Alves, dias atrás. Quem lê Castro Alves hoje em dia?
Já não sei o que se passa na TV. Crianças vêm me mostrar álbuns de figurinhas sobre desenhos que nunca vi. Acho que não sei sobre programação infantil porque estou velho, mas ainda não tenho filhos. Pensando por este lado, nem estou tão velho assim.
E de certo modo, penso que possa ser o contrário. Talvez esteja em companhias de pessoas novas demais, pessoas velhas demais, mas quase ninguém que recorde bem (cumulativamente) de Túlio, Roque Santeiro, Thundercats e musiquinha dos Saltimbancos...
quinta-feira, 27 de setembro de 2007
QUEM MATOU TAÍS?*
Lá para os idos de 1990, Renan Calheiros era um fiel escudeiro de Fernando Collor. Lembro que ele chamava atenção pelo cabelo sempre despenteado. Era uma figura estranha, vivendo na sombra do poder.Collor se foi, mas Renan ficou. E aprendeu como poucos a navegar no mundo da política.
Foi ministro da Justiça no governo de Fernando Henrique Cardoso, ocasião em que presidiu a XI Conferência dos Ministros da Justiça dos Países Ibero-Americanos, e pouco depois a reunião dos ministros do Interior do Mercosul, Bolívia e Chile.
Foi também presidente do Conselho Nacional de Trânsito (Contran); do Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda); do Conselho de Defesa dos Direitos da
Pessoa Humana (CDDPH) e do Conselho Nacional de Segurança Pública (Conasp).
Em 2002, foi um dos mentores do Estatuto do Desarmamento. Chegou a Presidente do Senado Federal em 2005 e foi reeleito em 2007.

O cabelo despenteado desapareceu, a roupa melhorou, o patrimônio aumentou. E ele acabou traçando aquela tetéia que era repórter da Rede Globo. O resto já sabemos. O escudeiro transforma-se na figura central da política brasileira durante o primeiro semestre de 2007.
Surgem denúncias em cima de denúncias. Mas o cara não cai. Resiste bravamente, de tal forma que começamos a desconfiar que ele tem mais do que inocência.
Ele sabe das coisas. Ou melhor, ele sabe de coisas. Sabe tanto que pode ameaçar: - Se cair, levo um monte junto.
Esse é o risco que corre quem tem escudeiro. O escudeiro conhece as manias do príncipe, as fraquezas do príncipe, as sacanagens do príncipe. E seu conhecimento pode destruir o príncipe. Para livrar-se dele o príncipe tem que mandar
matá-lo.
Ou aceitar a chantagem.
O que assistimos nos últimos meses talvez seja um dos maiores escândalos de chantagem pública "destepaíz". Nunca antes um senador teve em suas mãos tanto poder, tanto conhecimento para causar medo.
Veja só: provoca o afastamento de Fernando Collor, que se licencia de seu mandato reconquistado depois de cumprir a pena pelo impeachment. Collor não pode votar contra seu ex-escudeiro.
Provoca a saída do país do Presidente Lula, que faz teatro do outro lado do mundo.
Destrói a carreira de Aloísio Mercadante, que mais uma vez tenta explicar o inexplicável, justificar o injustificável.
Expõe a cara-de-pau de um Romero Jucá, de um Epitáfio Cafeteira.
Deixa explícito que a mídia pode muito, mas não pode tudo.
Mancha definitivamente a imagem do Senado. É poder demais para um senador só, o que nos leva a perguntar: o que é que Renan sabe?
Eu posso imaginar. Sabe de outros senadores e deputados que usam dos mesmos expedientes que ele usou para benefício próprio. Sabe tudinho do mensalão. Sabe das negociatas para compra de votos, para mudança de legenda, para proteção de empresas devedoras frente ao fisco.
Sabe das doações de bancos e grandes empresas. Sabe de concessões de rádio e televisão. Sabe quem come quem.
Sabe dos propinodutos variados (aliás, quando é que uma CPI vai dedicar-se a esmiuçar os contratos da área de informática no governo?).
Deve saber dos acordos envolvendo as Farcs. Chavez. Fidel Castro.
Sabe de muitos outros filhos fora do casamento. Talvez Renan saiba quem matou Celso Daniel e o Toninho do PT.
Deve saber sobre os bastidores das privatizações. Conhece alguns – ou muitos – podres envolvendo as grandes estatais.
Sabe do Kia, do Boris e do Corinthians...
Renan tem o poder supremo: informação. Ele manda em quem quiser. Ele dita regras, exige apoio e faz tremer.
Renan pode tudo. E sabe que pode. Daí aquela segurança, aquela arrogância, aquele sorrisinho, aquele "abisolutamente", aquela certeza, aqueles abraços e apertos de mão inexplicáveis. Renan é o cara.
Quer saber? Eu acho que Renan sabe até quem matou a Taís.
E nós, que pensamos que sabemos das coisas e na verdade sabemos de nada? Vamos seguir a vida, bovinamente resignados e obedecendo ao supremo mandamento do novo Brasil:– Cale a boca. E compre.
Será que o Renan sabe até quando?

*Este artigo é de autoria de Luciano Pires (http://www.lucianopires.com.br/) e está liberado para utilização em qualquer meio, contanto que seja citado o autor e não haja alteração em seu conteúdo.
segunda-feira, 24 de setembro de 2007
FAÇAM SUAS APOSTAS... O BOLÃO CHEGOU!
Estou quase um mês sem escrever. Quando perguntado sobre o jejum, penso, penso, penso e logo respondo que me faltam boas idéias para escrever. Nestas tardes de domingo, onde não se espera mais que uma modorra e uns jogos do Campeonato Brasileiro para dar uma animadinha neste clima desértico, meu silêncio produtivo foi interrompido pelo barulho do interfone. Levantei-me com certo desanimo, deixei a revista Consulex de lado (Yes, a culpa que gritava aos meus ouvidos, me compelia a ler algo um pouco mais inteligente...), abaixei o volume da TV e respondi: “Oi.”Uma voz jovial e animada respondeu do outro lado: “Oi!!!”
Duas coisas a observar: 1) Como alguém podia estar tão animado quando estava em pleno sol das 3h com umidade do ar à 12%??? 2) Em minha cabeça passaram um turbilhão de palpites sobre a identidade do rapaz: ABV, ABA, ABC, LBV, Jovens Livres, Associação Ágape, Testemunhas de Jeová, Hospital do Câncer, Disque gás, o homem do alho, o garoto que vende desinfetante para ajudar na recuperação de aidéticos, o vizinho do primeiro andar que esqueceu sua chave, os filhos do reverendo Moon, os Correios, o meu primo, a divulgação do circo, o papai Noel, e etc...
Repliquei enquanto espiava a jogada de perigo do Palmeiras: “Sim?” A voz desconhecida prolixou (neologismos em alta...) e reperguntou: “Tudo bom?” – e minha paciência se esvaindo bufou: “Tuuudoooo”.
“Quer comprar o bolão???” perguntou. Naquela hora, não sabia se eu ria ou se respondia. Só podia ser gozação! Três horas da tarde de domingo e alguém liga em meu apartamento para perguntar se queria comprar um bolão. Com um humor melhor e um riso entremeado perguntei: “Bolão do quê?”
A resposta do rapaz me fez sentir um burro por alguns milésimos de segundos, me fez sentir um estranho, um alienígena, um desinformado. A segurança que havia sobre a voz daquele interlocutor parecia tão grande que ele me esnobara! Foi tamanha! Ao ponto de me questionar qual era aquela verdade universal que eu desconhecia, e meio que antevi ele me dando um “Dãããããããããããããããrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr” que fazíamos para o burro da sala no primário!
Eu podia ver a cena do rapaz enchendo a boca e dizendo com um orgulho napoleônico: “O bolão de quem matou a Taís!!!” Quando eu escutei isso um novo turbilhão passou na minha cabeça: Pegadinha do Faustão, Pegadinha do João Kléber, Just Laughs, Punk’d, pegadinha do Mussão, trote dos desocupados, amigo vagabundo querendo me zoar, Câmera escondida, pegadinha do Sérgio Malandro e outras porcarias mais...
Meio assustado com esse choque, esse balde de gelo nessa sauna vespertina, um jab de direita na minha cara, uma surpresa. Meio atordoado e com os olhos arregalados respondi: “Hããããaannnn, quem matou a Taís?! Ahhhh, não quero não!” e a voz ainda respondeu: “Então tá! Falou!”
Coloquei o interfone no gancho, voltei para o sofá, vi o Valdivia firular (Yes! Nós temos neologismos!) enquanto flutuava em meus próprios pensamentos. Durante alguns minutos pensei em tudo que acabara de ocorrer: Renan Calheiros absolvido, CPMF aprovada em primeiro turno, a índia que foi achada morta no meio do mato, as acusações sobre José Dirceu, o caso MSI-Corinthians, a lei de improbidade fiscal, as declarações lamentáveis do Presidente da República, o vôo rumo à morte em Congonhas, a violência urbana, o tráfico controlado de dentro dos presídios, o fenômeno ditatorial que preocupa a democracia dos países latinos-americanos, o aumento da carga tributário, a crise aérea, a crise na saúde, a crise na educação, a crise na segurança, o país em crise, e outros problemas a que somos submetidos.
Me supreendeu também a tranqüilidade com que o rapaz se despediu, como se o mundo se resumisse a uma novela das oito. Como se vivêssemos simplesmente aquilo! Ora, o presidente do Senado acaba de ser absolvido e nos preocupamos muito mais com o assassino da Taís? Ora, e quanto aos assassinos da democracia, da moralidade, da honestidade, da boa-fé, das instituições democráticas do nosso país!
Entanto, faço um novo bolão. Ganha quem acertar! Do your bet! Quem será o nosso próximo Presidente? Será Bebel? Será Olavo? Será a falecida Tais? Será o Lula (em seus planos chauvinistas de re-reeleger)? Será Dirceu? Será Renan??? Apostem, mas espero que não ganhem.... pelo menos não com estes nomes.
Boa noite!
OBS: Em vista disso, retiro com ressalvas o que disse no último comentário no Letras &Flores!
sexta-feira, 14 de setembro de 2007
O ASPECTO FILOSÓFICO DO ZERO
Hoje fui perguntado sobre uma questão matemática. Veja bem.... eu faço Direito e em decorrência desta letargia de minha habilidade matématica, tenho tido dificuldade até mesmo em contas de padaria. Veja só a questão: "Pq 0 (zero) não é neutro e é par se eu não posso dividi-lo??"Bom...nem me atentei se a parte assertiva da questão estava certa, me adiantei a responder:
segunda-feira, 3 de setembro de 2007
O CONTO

que lhe conto um conto,
de histórias inacabadas e
seres fantásticos.
Quem revela um segredo
faz confidências de si.
fragmentos do “eu”
espalhados pelo chão.
Quem de si muito diz
acaba não gostando
do final da história
com sua nudez exposta.
Ir-me-ei fechar?
Em uma masmorra
Para o mundo?
Para a vida?
Guardo-me dos erros
meus, seus e alheios.
De bocas que contam
contos de minha nudez.
Boa noite!
sexta-feira, 24 de agosto de 2007
MINISTRO EROS GRAU COMENTA EM VOTO, O PAPEL DA IMPRENSA E A INDEPENDÊNCIA DO JUIZ.
A racionalidade, veiculada pelo direito positivo, direito posto pelo Estado, pretende dominar não apenas os determinismos econômicos, mas também os arroubos emocionais da sociedade, inúmeras vezes insuflados pela mídia. Afirmei-o há alguns anos, em artigo que escrevemos, o Professor Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo e eu, para ser publicado na revista Teoria Política, dirigida por Norberto Bobbio. Condenam-se pessoas mesmo antes da apuração de fatos.
Nunca me detive em indagações a respeito das causas dos linchamentos consumados em um como que tribunal erigido sobre a premissa de que todos são culpados até prova em contrário. Talvez seja assim porque muitos sentem necessidade de punir a si próprios por serem o que são.
A imprensa livre é por certo indispensável à plena realização da democracia. Por isso ela há de ser necessariamente imune à censura. Para que possa esclarecer a sociedade, a quem deve servir, mesmo porque o titular da imunidade à censura é povo, não o proprietário do veículo. A alusão que aqui faço a determinados desvios, bem determinados, evidentemente não pode ser tido como desconsideração ou menosprezo, de minha parte, do papel fundamental desempenhado pela imprensa na democracia. Reporto-me a desvios cuja substancialidade não pode ser negada.
Mas não me cabe tratar dessa patologia na formulação do nosso imaginário. Aqui devo cumprir o meu dever, preservando minha independência, expressão de atitude firme e serena em face de influências provenientes do sistema social e do governo. Independência que permite ao juiz tomar não apenas decisões contrárias a interesses do governo --- quando o exijam a Constituição e a lei --- mas também impopulares, que a imprensa e a opinião pública não gostariam que fossem adotadas.
A questão da legitimidade do exercício da função jurisdicional envolve a consideração daqueles dois planos, o da racionalidade da lei e o do imaginário social, cabendo sim ao magistrado, no Estado de direito, considerar as manifestações desse imaginário, sem, contudo, permitir que a ética da legalidade seja tragada pela emoção coletiva, que pode conduzir não apenas aos linchamentos, mas à indiferença face ao desprezo autoritário pelos chamados direitos fundamentais. Para isto existem os princípios e as regras jurídicas, para assegurar que o devido processo legal seja observado também quando o reclame quem não mereça a nossa simpatia.
A sociedade e mesmo a imprensa não o sabem, mas o magistrado independente é autêntico defensor de ambos. É mercê da prudência do magistrado independente que não resultam tecidas plenamente, por elas mesmas, as cordas que as enforcarão, as elites e a própria imprensa.
PORQUE ESSA ANGÚSTIA? PORQUE ESCREVEMOS!
Estas idéias que no profundo silêncio ecoam vorazmente, esta angústia tétrica que com seus tentáculos nos arrastam até o computador e nos pedem para escrever, essa percepção de mundo que temos e nos faz diferentes de todos, incompreendidos, sozinhos, angustiados e, mesmo com tantas pessoas ao redor, ainda parece que estamos morrendo de solidão(!)...Ora, as estrelas das janelas dos escritores não são só estrelas, são confidentes que alinham pensamentos em suas órbitas. A brisa da madrugada é um refresco em cabeças que fervilham de idéias mil. A música de fundo é um acalento psicoativo que nos embriaga em idéias desconexas e poderosas a espera de sua liberdade... é aí que a contradição deixa de existir, e o que é mais poderoso se torna o mais cativo, o mais prisioneiro, o mais difícil de sair.
Seremos pedantes ao escrevermos sobre nós mesmos?! Metidos em nossos próprios egos?! Gloriaremos-nos em nossa própria angústia?! De forma alguma. Apenas compartilhamos o que corações apaixonados e dedos compulsivos fazem em madrugadas sem fim.
Em meio a estas noites, que contam histórias audíveis em nossas mentes, que nos revelam desde jargões de auto-ajuda até divinas revelações, está um mundo de mundos particulares e profundos. Lugar onde só os escritores conhecem, só as estrelas compartilham e só Deus está.
Boa noite...
segunda-feira, 13 de agosto de 2007
POR QUE ESCREVEMOS?
Mas nem tudo nessa vida se explica. Alguém pode me explicar a tristeza dos dias chuvosos? Por que eles são tão tristes? Serão dias que acordam magoados com algo? Serão corações partidos que derramam lágrimas neste mundo de seres diminutos? Serão consolo para conosco? Lágrimas derramadas por um mundo que chora pela maldade humana? Dias que choram são inexplicáveis. Escrever também é inexplicável, é remédio para alma. Remédio com doses certas. Se tomarmos um pouco, parece que ficamos com uma dúvida sobre nós apontando para um vazio não identificado dentro do corpo textual. Se tomarmos demais, parece que fizemos uma baderna, uma desordem, um ser estranho como um ogre. Se tomarmos o remédio errado, ficamos mal e (uma observação importante) acabamos tristes, tristes, tristes. Se tomarmos o remédio certo, então atendemos a essa nossa necessidade de conversarmos com o papel (ou com o Word neste mundo tão estranho....) e expormos o que quisermos.
sexta-feira, 10 de agosto de 2007
DICA AOS MACHOS
Uma dica à todos os homens: Em se tratando de relacionamentos, sempre duvide de uma mulher cujo fotolog é todo cor-de-rosa com links cor lilás e que tem compulsão por tirar fotos de si mesma. Essa narcisista tem cheiro de problema! quinta-feira, 9 de agosto de 2007
O PECADO OCULTO
terça-feira, 7 de agosto de 2007

Coca-Cola é a cerveja de crente. Quem poderá dizer que a cevada faz falta se a coca-cola geladinha é um primor das bebidas?! E quem poderá arranjar algo mais irresistível de se beber nas calorentas tardes dominicais de setembro?! Ora, que grande coisa nós temos! A coca-cola e sua atração surpreendente! Este, que mais parece um comercial de revistas baratas, na verdade é um elogio ao mal compreendido refresco que por parte de alguns é execrado sob alegações de ser um eficaz desentupidor de pia.
Lembro-me de peças processuais dificílimas que me eram postas na labuta advocatícia, diante das quais eu respondia sem titubear: “essa só sai com uma coca geladinha do lado!”. Frase que pode ser substituída a medida que as profissões variam adequando-a a realidade profissional de cada um. Um arquiteto, por exemplo: “Esse projeto só sai com a Coquinha Gelada!”. Um peão de rodeio: “Só encaro esse touro depois de uma coquinha!”. Um psicólogo: “Só atendo este doido depois de uma coca!”. jogador amador e assim por diante....
Assim, uma grande homenagem à este refrigerante delicioso! À esta companheira dos suados jogadores de pelada! À esta recompensa depois do dia de trabalho! À esta bebida que celebra as reuniões dos irmãos! Esta querida... “coquinha gelada”!
Boa noite!


